A AMEAÇA DA CARNE SUÍNA: VERDADE OU MITO?

Consumidores de carne suína têm muito receio da transmissão de cisticercose através dela.

Dificilmente encontra-se alguém que nunca tenha ouvido falar sobre uma doença supostamente transmitida pela carne suína. “Sapinho”, “pipoquinha”, “canjiquinha”, são termos que em muitas regiões brasileiras se denomina a doença cujo nome científico é neurocisticercose. E a grande maioria da população acredita que essa doença é adquirida pelo consumo de carne suína mal cozida.

Carne suína contaminada

Entretanto, ao comer carne crua ou mal passada dos suínos e bovinos, que contenha as larvas da tênia (cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase, também conhecida por “solitária”, porque geralmente é causada por uma única tênia. Três meses após a ingestão do cisticerco, a tênia já localizada no Intestino Delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, com ovos. Os anéis podem sair com as fezes, ou se romper ainda dentro do Intestino, liberando os ovos, que são da mesma forma eliminados durante a defecação.

No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura e umidade, podem continuar vivos por até 300 dias. Se houver esgotos apropriados, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em local inadequado (campo, etc.).

E quanto à Cisticercose?

É uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da tênia. O homem adquire esta doença ao comer verduras, frutas ou ingerir água contaminadas com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e o intestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos dissolvem a sua camada superficial, liberando os embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por quatro dias. A seguir, perfuram a parede intestinal e caem nos vasos sanguíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. Embriões podem se fixar no cérebro, causando a Neurocisticercose.

É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas, hipertensão craniana (dores de cabeça, vômitos, etc.) e hidrocefalia. Outras localizações são o coração, olhos e músculo. No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dos sintomas, sem qualquer prejuízo.

No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmente conhecida como “canjiquinha”. Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem irá ingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase (e não a cisticercose!), completando assim o ciclo desse verme.

As medidas de prevenção, tanto para a teníase quanto para a cisticercose, são o saneamento básico (tratamento de água e esgoto), o consumo de carnes suínas e bovinas fiscalizadas (pelo SIF, por exemplo) e cozimento adequado dessas carnes.

Portanto, vamos aos fatos:

Adquirimos a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com ovos de tênias.

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  • O ser humano adquire a Tênia ao ingerir carne mal cozida de bovinos ou suínos com cisticercose. Em nenhuma hipótese terá cisticercose ao ingerir esta carne.
  • O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelo homem, abrigando a fase larvar da tênia (cisticerco).
  • O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas, etc) através de suas fezes, liberando os ovos do parasita.
  • Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá cisticercose nos suínos e bovinos.

Portanto, esse é mais um motivo para os cuidados com a higienização de frutas e vegetais que são consumidos crus.

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Fonte:

  • http://www2.agricultura.rs.gov.br/uploads/1312836160MITOS_E_VERDADES_DA_CARNE_SUINA.pdf

 

Sobre Adriana Errero

Adriana Errero é Nutricionista, atua há 16 anos com implantação de Boas Práticas de Fabricação de Alimentos. É administradora da Pró Qualidade Consultoria em Alimentação.

 

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